Hail!
Como eu já venho salientando em outros posts, muito do que realmente era praticado se perdeu ou ficou restrito a tribos familiares, que até hoje existem porém não expõem suas práticas.
Então, se tem apenas fragmentos e ideias de como funcionava a sociedade germânica. Da mesma forma funciona com a magia.
Vou tentar abordar aqui o que eu sei e venho aprendendo sobre a magia e sua relação com os germânicos.
Espero que gostem!
A sociedade como um todo entendia a magia como sendo acessível a todos, tanto para o bem quanto para o mal. Por isso ao passo que se sentiam próximos a ela, também sentiam um certo medo de forças tão poderosas como essa. Porém, embora fosse acessível a todos, existiam "pessoas especializadas" em práticas mágicas. Seus nomes variam de acordo com a prática que conheciam, mais adianta ao descrever as práticas, citarei-os.
É importante ressaltar que não se tem registros de rituais complexos, nada cerimonial ou algo do tipo. Era tudo muito bruto e tribal, sincero e prático.
A magia era "dividida", digamos assim, em três "categorias" que até hoje não se descobriu ao certo as traduções corretas para os termos e onde um termo deixa de existir para se tornar outro. A semelhança entre eles é pouca e como não há consenso, muitas vezes você lerá o conceito de um com o nome de outro. As divisões são:
Seiðr: são as práticas que lidam com o subsconsciente, com viagens astrais, gerar confusão mental em outras pessoas, a arte do glamoury, manipulação de energia e espíritos. Freyja é a padroeira do Seiðr, sendo ela que ensinou a prática para Odin, que alguns consideram como co-padroeiro do Seiðr. Pra mim, essa magia é pertencente a Freyja e se deve recorrer a mesma para se aprender a prática de forma mais profunda. O praticante de Seiðr pode trabalhar com os espíritos locais (espíritos da terra), chamados na cultura germânica de Landvættir. Foi intimamente ligada as mulheres, sendo essas chamadas de Völvur (plural de Völva), Seiðkonur (plural de Seiðkona), Spækona ou Vísendakona.
Spá: são as práticas videntes inconscientes, onde se pode além de profecia inclui a manipulação e influência do destino. Eram praticadas pelas Völvur, com auxílio das Nornes (tanto como Deusas, como apenas energias primordiais)
As Völvur, como se pode ver, entendiam de uma gama ampla de conceitos e práticas magicas. Por isso eram muito queridas (e temidas) por onde passavam (algumas eram andarilhas, mas algumas permaneciam em suas tribos). Sempre tratadas muito bem por todos, concediam seus serviços (em troca de algo, obviamente) e podiam até mesmo conceder "dons" e bençãos as crianças que nasciam. Há vários relatos de Völvur que foram contratadas para trazer o verdadeiro caos, pois sabiam lidar muito tem com os espíritos da natureza e com as forças que regem isto. Também há relatos de trazerem vitórias para algum lado das batalhas, pois sabem muito influenciar o Wyrd, o destino pessoal.
Uma das práticas conhecidas é a Völva sentada em um trono, batendo seu cajado (as vezes incluia tambor) ritmicamente enquanto canta alguma canção para ajudar no seu relaxamento e alteração de consciência. As canções poderiam ser produzidas pela própria Völva ou por algum ajudante. Ninguém sabe ao certo como essas canções soariam! Porém, aqui tem algumas canções, de bandas modernas, que podem indicar como elas seriam mais ou menos: Solveig Andersson Jojk "Bjiejjie" - Eivør - Trøllabundin - Hedningarna-Räven
Galdr: abrange todas as práticas mágicas que dependem da vontade do praticante, da mente consciente. Magia com runas, fabricação de remédios para cura, maldições, encantos... A sua característica, além de ser pertencente ao consciente, é que a magia se foca na intenção em torno da palavra proferida ou pelo canto. Odin pode ser considerado como padroeiro do Galdr. Os praticantes são conhecidos como Galdramaðr ou Galdrakarl (homem) e Galdrasnót (mulher).
Magia com Runas: Algumas fontes separam a magia com runas como sendo um tipo único de magia. Porém, eu discordo. Creio que as Runas por representarem um alfabeto, terem som e poderem ser invocadas, estão dentro do Galdr. Irei fazer um post somente sobre as Runas e como se trabalhar com elas. Só quero citar que existe esse tipo de magia e que está associado com o Galdr. Pode-se entalhar as runas enquanto as invoca, apenas invocá-las e etc.
A minha recomendação é que se pratique o Galdr com algum idioma germânico existente até hoje (Noruguês, Sueco, Finlandês, Alemão, Dinamarquês e etc). Por que? Pela magia que as palavras tem. Eu sinto uma energia diferente entre praticar Galdr em português ou falar algo em alemão. Talvez essa energia venha do fato de estar praticando algo germânico com um idioma germânico, como se me reconectasse com meus ancestrais (tenho uma parte alemã no sangue, mais direta.)
PORÉM, obviamente você pode praticar em português e DEVE praticar se gostar. Eu pratico em português porque recém vou começar a estudar alemão, então sem neura. Só aprenda um novo idioma se realmente tem muito interesse pela cultura.
Alguns outros termos para praticantes da magia são: Gýgr, Fala, Hála, e Skaas (bruxa), Heiðr, Fjölkyngiskona, e Vitki/Vitka (feiticeiro/feiticeira), Tauframaðr (lançador de encantos), e myrkriða (um cavaleiro das Trevas).
Os conceitos, atualmente, não servem para segregar e indicar que temos que escolher um dos três "estilos". De jeito nenhum! Apenas indica o quão ampla era a magia e como podemos nos relacionar atualmente com cada uma. Além de servir como um rumo para se estudar sobre a magia, pois se procurar apenas por "magia germânica" muitas vezes não se encontra muito sobre. Então o interessante é pesquisar cada termo para se entender tudo que a magia era.
Eu pratico atualmente o Galdr por ser mais rápido, em qualquer lugar eu consigo praticar. Principalmente usando a magia com Runas. Ainda não tive um tempo legal pra começar as práticas com Seiðr e Spá (embora Freyja esteja a tempos me mandando recados). Talvez seja pra eu começar logo... rs
OUTROS TIPOS DE MAGIA
Magia divina: Não é um conceito exclusivamente germano, nem sei se é germano, mas sempre foi praticado pelos mesmos. A magia divina nada mais é do que obter auxílio de divindades para se obter o que quer. Seja no Galdr, no Spá ou no Seiðr. Ou até mesmo só chamar pela divindade em algum momento para pedir seu auxílio. Na prática moderna, se chama a divindade e se oferece algo em troca. No sistema germano ocorre o mesmo, ao pedir-se algo se esclarece o que irá dar em troca.
Magia com símbolos: Associado com o consciente, é o ato de utilizar símbolos para determinados fins. Infelizmente, não ficou registrado de que forma eram utilizados, se dentro de algo mais específico ou se apenas se entalhava os símbolos. Talvez os símbolos tivessem nomes e era utilizado o Galdr ao entalhar os símbolos, mas não tem como ter certeza. Sinceramente, eu nunca utilizei os símbolos que se tem registro. Eu geralmente utilizo as runas mesmo, dentro do Galdr.
Diferente das runas, estes símbolos não são energias cósmicas, entidades ou algo do tipo. São apenas símbolos (como por exemplo o pentagrama) que se pode ativar para obter a energia do mesmo. Para se ativar esses símbolos, um ritual básico com os elementos deve bastar.
São muitos símbolos, que eu mesmo nunca nem testei. Então não acho legal ficar colocando todos os símbolos que eu conheço aqui. Mas vou deixar alguns para se ter ideia de como seriam.
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| Fonte: A Magia Escandinava, Marcio Alessandro Moreira |
Para quem quer se aprofundar mais no assunto, existe os arquivos denominados "A Magia Escandinava" feitos pelo "Marcio Alessandro Moreira" e é dividido em três. E também o "The Galdrabók (Icelandic Book of Magic)" que é um grimório nórdico datado de 1600 d.C.
Como viram, o que ficou registrado remete a uma sociedade extremamente simples, dotada de poucos rituais mais complexos (como os para contatar mortos e mexer com o wyrd). NADA IMPEDE de que a sociedade tenha sido super complexa, com rituais super elaborados. Mas eu desacredito, uma vez que tudo era passado oralmente. Não creio que rituais elaborados demais teriam sido criados. Quem sabe uma estrutura base para se realizar as práticas?! E também pelo fato de serem tribos altamente ligadas com a terra. A sociedade não era tão organizada quanto outras sociedades, como os gregos por exemplo. Mas nunca saberemos.
Temos acesso a poucos registros o que impossibilita maiores percepções. Sem falar que existem tradições ainda, onde os ensinamentos foram passados de geração em geração e devem ser ricas em material. Porém, não tem como descobrir estes "mistérios".
Com base nesses conceitos mágicos, é que eu pratico a minha magia. Mas uso de elementos mágicos que são mais modernos. Como velas, cores, caldeirão, instrumentos mágicos e etc. Porém, tento trabalhar da forma mais germânica possível. Quando eu postar sobre o próximo festival aqui, o Hexennacht, vai ficar um pouco mais claro.
Ásrøður


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